Powered By Blogger

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Matéria sobre jovens ao volante (12/07/2010).

    Sou a favor da lei, da moral, da ética e principalmente, da vida. Quero pedir que nossos governantes, prestem atenção as necessidades, reais, que nós temos. Os indícios estão ai, necessitamos verdadeiramente de educação e não de leis que ferem o ir e vir de toda a população. Não se pode fazer uma blitz que impeça uma pessoa, de chegar a um evento qualquer, ou até mesmo a um hospital, unica e exclusivamente por terem inventado uma lei, que não educa, simplesmente reprime. E pior, cria um grupo de fiscais, que aos poucos se acomodam com esse status e começa a se corromper, como os outros que já estavam ai, faz tempo, basta assistir, "tropa de elite 2".
   Segue a matéria da VEJA, de 2000, que ao final, mostra uma solução, bem prática para esse problema, que não tem nada de novo:

   A vontade popular já achou até solução para não deparar com a lei seca, http://twitter.com/#!/leisecarj
A criatividade do povo é insuperável, é melhor educar.

Bom final de semana. Se beber, chame o táxi. (Ônibus, de madrugada... nem pensar).

Jovens e perigosos

Pesquisa mostra que quanto mais novo é o motorista maior é o risco de provocar um acidente grave
Maurício Oliveira
Uma pesquisa divulgada recentemente pelo Journal of the American Medical Association, publicação americana de prestígio, diz que carro talvez não combine com juventude. Os números são estrangeiros, mas as conclusões são de grande valia para o território brasileiro. Segundo o estudo, o jovem corre duas vezes mais risco de provocar um acidente grave com o carro do que motoristas mais velhos, acima dos 25 anos. Se ele estiver acompanhado de outros rapazes da mesma faixa etária, o perigo aumenta ainda mais. Um motorista jovem levando consigo três amigos igualmente jovens tem três vezes mais probabilidade de se envolver num acidente fatal do que um jovem que esteja sozinho no carro. O motivo é que, além de se distrair conversando com os amigos, o jovem ao volante fica tentado a impressionar os colegas com manobras pouco seguras. O estudo americano apontou ainda que o índice de mortalidade entre motoristas jovens cresce substancialmente depois das 10 horas da noite, e de forma dramática após a meia-noite. As razões que levam os jovens a se envolver em acidentes são as mesmas de sempre: necessidade de auto-afirmação, propensão para desafiar limites e boas doses de inconseqüência.
Um caso trágico aconteceu no mês passado com quatro nadadores do Clube de Regatas Flamengo, na cidade do Rio de Janeiro. Eles saíram de uma festa de confraternização entre os atletas de alguns clubes da cidade. Dançaram, divertiram-se e beberam um pouco. Por volta das 2 horas da manhã, os jovens resolveram ir embora. Eles deixaram a festa, realizada numa boate da Barra da Tijuca, dizendo que iam chegar em casa em apenas dez minutos, num trajeto que demoraria em torno de trinta. Quando voltavam em direção à Zona Sul, ocorreu o acidente. O carro, um Golf prata, bateu com violência em um poste localizado na saída do Túnel Zuzu Angel, na Gávea. Os corpos foram catapultados para fora do veículo. O automóvel era guiado por Francisco Almeida, 19 anos. Ele corria acima de 100 quilômetros por hora no momento do choque. "Francisco conhecia bem as leis de trânsito, mas, talvez incentivado pelos amigos, excedeu-se", diz o pai do rapaz, o médico Pedro Almeida.
As estatísticas no Brasil confirmam que os jovens são, em geral, motoristas mais imprudentes que os mais velhos. A cada ano, cerca de 6.500 jovens de até 25 anos morrem em acidentes de trânsito e outros 140.000 ficam feridos. É um número assustador. De acordo com os últimos dados do Departamento Nacional de Trânsito, em 1998, 29% dos motoristas que se envolveram em acidentes com mortos ou feridos pertenciam a essa faixa etária. Isso significa que, em apenas um ano, 115.000 jovens estavam na direção de um carro no momento do acidente. Estima-se que 50% tenham ingerido bebidas alcoólicas ou algum tipo de droga antes de pegar o volante. E o mais incrível: 11.000 eram motoristas com menos de 18 anos, o que, geralmente, implica cumplicidade ou omissão dos pais. "A maioria dos jovens que se envolvem em acidentes com vítimas já possui um histórico de batidas menos graves. Isso significa que os pais devem prestar muita atenção na maneira como os filhos se comportam no trânsito e tentar alertá-los dos perigos", diz Salomão Rabinovich, diretor do Centro de Psicologia Aplicada ao Trânsito.
O fascínio que o carro exerce no jovem, quase sempre nos homens, vem desde a adolescência, lá pelos 13 anos. Se as circunstâncias forem propícias – o final de semana numa praia pouco movimentada ou a ausência de policiamento dentro de um condomínio –, os pais acabam cedendo. Nesse momento, não dá mais para voltar atrás. Estima-se que, de cada dez jovens que completam 18 anos, quatro já sabem guiar com alguma habilidade, o que pressupõe muitas horas de prática antes das aulas nas auto-escolas. Mas, afinal, como os pais podem manter o adolescente longe do volante? E o que fazer com o jovem que já tirou carteira? Não existe uma receita acabada para nenhum dos casos. Em primeiro lugar, os especialistas recomendam muita conversa para que o jovem saiba dos perigos que corre. Em segundo, pulso firme. Exerça a autoridade e corte o acesso ao veículo ao primeiro sinal de irresponsabilidade na condução. Em terceiro, ofereça alternativas. Dê dinheiro para o táxi ou vá buscá-lo nas festas. No mais, é passar as madrugadas em vigília e torcer para que seu filho faça parte do grupo dos jovens responsáveis.
O Hospital Sarah, de Brasília, tem uma das melhores iniciativas pedagógicas para jovens que cometem barbeiragens ao volante. A direção do hospital criou, em 1995, um serviço voltado para os motoristas infratores, em geral com menos de 18 anos. Eles são encaminhados pela Vara da Infância e da Juventude do Distrito Federal para prestação de serviços comunitários e durante dois meses ajudam a atender pacientes que se acidentaram no trânsito. Muitos com danos cerebrais ou físicos irreversíveis. É uma experiência que eles nunca mais esquecem. Um dos 320 infratores que passaram pelo serviço é Adir Roberto Dias, 22 anos. Quando tinha 17, ele pegou o carro da mãe sem autorização e acabou atropelando um ciclista. A vítima não morreu, mas os pais de Dias tiveram de pagar as despesas hospitalares, além de um ano de cesta básica para a vítima. Simultaneamente, o jovem passou a colaborar com o Sarah. Ficou dois meses ajudando na fisioterapia de vítimas do trânsito. A lição serviu. O rapaz não se envolveu em outros acidentes e hoje se considera um motorista exemplar. "Percebi que poderia ser eu numa daquelas camas", recorda. Sábia observação.

http://twitter.com/#!/leisecarj

Nenhum comentário: